Ötzi, o conhecido "Iceman", utilizava recursos e conhecimentos sofisticados para tratar doenças - Aventuras no Conhecimento

Últimas

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Ötzi, o conhecido "Iceman", utilizava recursos e conhecimentos sofisticados para tratar doenças


Ötzi, o Iceman (Homem do Gelo), é uma múmia bem conservada com cerca de 5.300 anos que foi encontrada em 1991 num glaciar perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália. Desde que foi descoberto, o Iceman tem sido muito estudado, principalmente pelo fato de ter sido encontrado em um ótimo estado de conservação.

Cientistas de imediato já conseguiram identificar alguns fatos relevantes do Iceman desde sua descoberta, ele tinha aproximadamente de 30 a 45 anos, 1,65m de altura, tinha 61 tatuagens, seus dentes estavam apodrecendo, sofria com um problema no estômago e seus joelhos estavam começando a se degenerar, além da perfuração nas costas causada por uma flecha que provavelmente o matou e muitas outras descobertas interessantes.

Ötzi carregava uma série de medicamentos com ele presos a bandas de couro em seu equipamento, os pesquisadores descobriram o fungo poliporo de bétula (Piptoporus betulinus), que o Iceman pode ter usado para acalmar a inflamação ou como um antibiótico. Os cientistas também encontraram samambaia em seu estômago, que pode ser usado para tratar parasitas intestinais, como tênia. Além disso, ao redor de algumas das 61 tatuagens que possuía, havia pontos ao redor das articulações, que alguns pesquisadores acreditam que podem ter sido usados ​​como tratamento da dor semelhante a uma forma inicial de acupuntura.

Em um novo estudo realizado em Ötzi, cientistas conseguiram concluir que as ervas e tatuagens que ele parece ter usado para tratar suas doenças podem ter sido comuns nessa época, sugerindo uma cultura sofisticada de assistência à saúde neste momento da história da humanidade.


Na pesquisa, publicada no International Journal of Paleopathology, os cientistas analisaram de perto as tatuagens de Ötzi. Algumas linhas e pontos estavam diretamente sobre o pulso e os tornozelos, que sofriam de doenças degenerativas, e muitos correspondem aos pontos de acupuntura tradicionais. As marcações demorariam muito tempo para serem produzidas, e essa prática sofisticada - junto com a variedade de ervas e remédios - provavelmente teriam sido desenvolvidas por meio de uma abordagem sistemática e dedicada de tentativa e erro que foi transmitida através de gerações na sociedade em que Ötzi viveu..

Tudo isso - combinado com o uso sofisticado de plantas e fungos para tratar doenças - sugere que Ötzi fazia parte de uma cultura com algum conhecimento de anatomia, como as doenças surgem e como tratá-las.

Por Adriano Reis
Biólogo