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Por que alguns tubarões têm cabeça em forma de martelo?

"Martelos" evoluíram há apenas 20 milhões de anos, dizem cientistas

Tubarões-martelo se beneficiam do formato de suas cabeças para nadar melhor. Ou para lidar com presas. Talvez tenham melhor visão. Ou será que tem algo a ver com uma melhor detecção de sinais elétricos ou odores?

A resposta correta? Todas acima.

Para começar, não existe apenas uma espécie de tubarão-martelo. Zoólogos identificam pelo menos oito tipos diferentes de peixe que têm a cabeça achatada.
Se você acha que as cabeças deles não se parecem tanto com as ferramentas usadas para bater pregos, os cientistas concordam: eles descrevem o formato muito mais como semelhante ao dos aerofólios de carros.

E se trata de uma inovação evolucionária relativamente recente. Se os primeiros tubarões surgiram há pelo menos 450 milhões de anos, há evidências de que os oceanos passaram a ser habitados pelos "martelos" há apenas 20 milhões de anos.


"São umas das mais jovens espécies de tubarões", afirma David Jacoby, da Royal Zoological Society, em Londres.
Jacoby estuda especificamente uma espécie de tubarão-martelo, que habita o Oceano Pacífico.

Estabilidade nas curvas

Entre as principais vantagens que essa cabeça achatada traz está um melhor desempenho na natação. Em um estudo publicado há 12 anos, o pesquisador Stephen Kajiura descobriu que os tubarões-martelo são capazes de fazer curvas fechadas com muito mais frequência e velocidade que tubarões com formato de cabeça mais tradicional. É como se o achatamento desse ao bicho mais estabilidade para virar.

Já um grupo de pesquisadores marinhos que estudava arraias nas Bahamas nos anos 80 notou como tubarões-martelo usavam suas cabeças para encurralá-las no fundo do mar.
Em 2009, Kajiura e colegas descobriram mais: quanto mais achatada é a cabeça de um tubarão, melhor é sua visão, sobretudo em relação à noção de profundidade.

A cabeça mais achatada contém um cérebro maior que o de outros tubarões

Mas a visão não é o único sentido beneficiado pelo formato da cabeça dos tubarões-martelo. Assim como outros "primos", eles podem detectar campos eletromagnéticos. Só que sua constituição física faz com que as terminações nervosas que permitem isso sejam mais concentradas, possibilitando maior precisão na detecção.

"Quando ele nada, sua cabeça volta e meia se mexe de um lado para o outro. Isso realmente ajuda a investigar o leito marinho", explica Jacoby.
Há ainda o olfato: estudos mostram que tubarões são capazes de "separar" os odores por suas narinas, o que os fazem virar rapidamente para a direção desejada. Esse "poder" é ainda melhor nos "martelos", uma vez que suas narinas são mais separadas. Consequentemente, eles conseguem detectar mudanças de direção bem mais rápido.

As cabeças achatadas, curiosamente, também têm com mais espaço para o cérebro: os tubarões-martelo têm um tamanho particularmente impressionante para a extensão de seus corpos, o que pode ajudar a explicar o porquê dessa espécie ser bem mais "social".
"Eles formam cardumes gigantes, muitas vezes com centenas de integrantes, que muitas vezes se mexem como um só", diz Jacoby.

No entanto, esse caráter mais "social" torna os martelos bem mais vulnerável à pesca que outros tubarões. Não por acaso, eles figuram na "lista vermelha" de espécies ameaçadas compilada pela União Internacional de Conservação da Natureza.

Fonte: BBC