Biólogos em Fernando de Noronha tentam preservar caranguejo gigante - Aventuras no Conhecimento

Últimas

domingo, 23 de março de 2014

Biólogos em Fernando de Noronha tentam preservar caranguejo gigante

Caranguejo Johngarthia Lagostoma só existe em quatro ilhas oceânicas no mundo e pesquisadores querem saber se há conexão entre os grupos.

Pesquisadores também tentam salvar uma espécie de caranguejo gigante, que se esconde no arquipélago de Fernando de Noronha.
Feixes de luz cortam a escuridão em Fernando de Noronha. São os pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco em uma expedição atrás de um gigante. O caranguejo Johngarthia Lagostoma, conhecido como caranguejo amarelo, ou caranguejo da ilha, só existe em quatro ilhas oceânicas no mundo. Três ficam no Brasil.
Os pesquisadores precisam capturar os caranguejos à noite, porque durante o dia eles se escondem do sol.

Procuram os locais mais úmidos. Ficam dentro dos buracos nas cavernas na maior ilha de Fernando de Noronha. E como eles têm hábitos noturnos, na escuridão, aumentam as chances de capturá-los.
Os pesquisadores se apertam entre as rochas e cavam bem fundo. “A gente tem que enfiar todo o braço para conseguir pegar e, às vezes, nem consegue”, declara a bióloga Cynthia Lima, pesquisadora da UFPE.
O dia amanhece e a busca continua, agora na Ilha Rata. A área de proteção ambiental se tornou um abrigo seguro para os caranguejos. A carapaça chega a medir 15 centímetros. Eles podem ter cores diferentes: roxo, amarelo, laranja.
“A gente acha que além de ser uma variação genética pode ser uma coisa relacionada à alimentação”, diz a bióloga Simone Lira, pesquisadora da UFPE.

Os caranguejos são medidos, pesados e é coletado material genético para identificar o DNA.
“Na próxima muda que vai ter do caranguejo, ele já tem uma outra patinha. No caso vai nascendo mais um pouquinho, um pouquinho mole, e depois ele recupera total a última pata”, diz Simone.
Os pesquisadores querem saber se existe alguma conexão entre os grupos que vivem nas quatro ilhas oceânicas, através das larvas que são despejadas no mar uma vez por ano na época da reprodução.
“Através do conhecimento, podemos gerar informações necessárias para o manejo da espécie e, com isso, auxiliar na preservação da espécie”, explica o biólogo Ralf Schwamborn, da professor UFPE.
A captura e o consumo do caranguejo gigante são proibidos por lei no Brasil.