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sexta-feira, 15 de junho de 2012

DICA DE LIVRO: 'Evolução' explica o impacto das ideias de Darwin

A teoria do naturalista britânico Charles Robert Darwin ultrapassou o campo das ciências naturais e se estendeu pelas ciências humanas e por toda a cultura contemporânea. Hoje, a teoria da evolução é um dos temas mais debatidos entre religiosos e cientistas.

AR5 LONDRES (REINO UNIDO), 11.02.09.- Un retrato del científico británico Charles Darwin, expuesto en su casa en Downe Village, Kent, Reino Unido, hoy miércoles 11 de febrero, en la víspera del 200 aniversario de su nacimiento. EFE/Andy Rain
Retrato do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882)

"Evolução", da série "Encyclopaedia", explica os conceitos fundamentais e debate os avanços das descobertas científicas. Além da teoria, o livro apresenta exemplos da vida cotidiana, como as bactérias resistentes a antibióticos ou o aumento da longevidade.

Abaixo, leia um trecho do exemplar.

Capítulo 1

Introdução

Somos um só, nós e os seres rastejantes;
E macacos e homens,
parentes de sangue.

Do poema "Drinking Song", de Thomas Hardy

O consenso na comunidade científica é de que a Terra é um planeta que orbita ao redor de uma estrela bastante típica, uma entre muitos bilhões de estrelas numa galáxia entre bilhões de galáxias num gigantesco universo em expansão, que surgiu há cerca de 14 bilhões de anos. A própria Terra formou-se em consequência de um processo de condensação gravitacional de gás e poeira, que também gerou o Sol
 e outros planetas do sistema solar, por volta de 4,6 bilhões de anos atrás. Todos os organismos existentes na atualidade são os descendentes de moléculas autorreplicantes que se formaram por meios puramente químicos há mais de 3,5 bilhões de anos. As formas sucessivas de vida foram produzidas pelo processo de "descendência com modificação", como o chamou Darwin, e estão relacionadas umas às outras por uma genealogia ramificada, a árvore da vida. Nós, seres humanos, somos mais próximos dos chimpanzés e dos gorilas, com quem tivemos um ancestral em comum há 6 ou 7 milhões de anos. Os mamíferos, o grupo ao qual pertencemos, e as espécies existentes de répteis divergiram de um mesmo ancestral há cerca de 300 milhões de anos. A origem de todos os vertebrados (mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes) remonta a uma pequena criatura similar a um peixe que carecia de espinha dorsal, que existiu há mais de 500 milhões de anos. Recuando ainda mais no tempo, torna-se cada vez mais difícil discernir as relações entre os principais grupos de animais, plantas e micróbios; porém, conforme veremos, seu material genético apresenta claros sinais de ancestralidade comum.

Há menos de 450 anos, todos os estudiosos europeus acreditavam que a Terra era o centro de um universo de, no máximo, alguns milhões de quilômetros de extensão e que os planetas, o Sol e as estrelas giravam em torno desse centro. Há menos de 250 anos, eles acreditavam que o universo havia sido criado, basicamente em sua forma atual, há cerca de 6 mil anos, embora, na época, se soubesse que a Terra orbitava ao redor do Sol como os outros planetas e um universo de dimensões muito maiores fosse amplamente aceito. Há menos de 150 anos, prevalecia entre os cientistas a idéia de que a Terra em seu estado atual é produto de, no mínimo, dezenas de milhões de anos de transformações geológicas, mas ainda predominava a crença de que Deus criou todos os seres vivos.

Em menos de 500 anos, a utilização implacável do método científico de inferência com base na experimentação e na observação, sem recorrer à autoridade religiosa ou governamental, transformou por completo o modo como concebemos nossas origens e nossa relação com o universo. Além da fascinação intrínseca à visão do mundo revelado pela ciência, isso teve um enorme impacto sobre a filosofia e a religião. As descobertas da ciência indicam que os seres humanos são produto de forças impessoais e que o mundo habitável é uma parte minúscula de um universo de imenso tamanho e duração. Independentemente das crenças religiosas ou filosóficas de cada cientista, todo o programa de pesquisa científica baseia-se no pressuposto de que o universo pode ser compreendido nesses termos.

Poucos negariam que esse programa teve um sucesso espetacular, sobretudo no século XX, em que fatos terríveis acometeram a humanidade. A influência da ciência pode ter contribuído indiretamente para esses acontecimentos, em parte devido às mudanças sociais provocadas pelo surgimento das sociedades industriais de massa em parte por minar o sistema de crenças tradicional. No entanto, pode-se argumentar que grande parte do sofrimento ao longo da história humana poderia ter sido evitado com o uso da razão e que os desastres do século XX resultaram de um fracasso em ser racional, e não de um fracasso da racionalidade. O uso prudente da compreensão científica do mundo em que vivemos é a única esperança para o futuro da humanidade. O estudo da evolução revelou nossas conexões profundas com as outras espécies que habitam a Terra; para evitar uma catástrofe global, essas conexões devem ser respeitadas.

O propósito deste livro é apresentar ao leitor alguns dos mais importantes conceitos, procedimentos e descobertas elementares da biologia evolutiva, assim como seus avanços desde as primeiras publicações de Darwin e Wallace sobre o assunto, há mais de 140 anos. A evolução fornece um conjunto de princípios unificadores para toda a biologia; também ajuda a compreender a relação dos seres humanos com o universo e uns com os outros. Além disso, vários aspectos da evolução têm importância prática; por exemplo, a rápida evolução da resistência de bactérias a antibióticos e do HIV a drogas antivirais impõe problemas prementes à medicina.

Fonte: Folha
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