Saída do ‘Homo sapiens’ da África ainda é polêmica - Aventuras no Conhecimento

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domingo, 6 de maio de 2012

Saída do ‘Homo sapiens’ da África ainda é polêmica

Pesquisadores da Usp dizem não se surpreender com novas descobertas

RIO - O enterro da teoria do Clovis, segundo a qual o homem moderno chegou à América por volta de 13 mil anos atrás, não foi recebido com surpresa pelo Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP. Seus pesquisadores trabalham em Lagoa Santa, Minas Gerais, e já aventavam a possibilidade de que nossa chegada ao continente ocorrera pelo menos um milênio antes. A hipótese de que a porta de entrada seja o Estreito de Bering, porém, ainda é considerada a mais factível.
O reinado de Clovis caiu há tempos. Não vamos gastar vela com este defunto — afirma Danilo Vicensotto, pesquisador do laboratório. — Mas as novas publicações deviam prestar mais atenção na análise craniana, que é muito mais acessível do que obter o DNA dos primeiros homens a chegar aqui.
Embora levantamentos recentes apontem ascendências curiosas — entre elas, a de que os europeus têm 2,5% de seu genes provenientes dos neandertais —, Vicensotto recomenda cautela com o trabalho com o DNA.
Esses trabalhos são válidos para uma parcela da população — pondera. — Há trabalhos semelhantes na Ásia e na Oceania, abordando a herança genética dos habitantes desses locais. Como, no Brasil, somos um povo miscigenado, isso poderia refletir em nosso DNA, mas fazer esta classificação agora, com tanto ainda para descobrir, me parece uma aventura.
A herança genética, além disso, faz a ciência cutucar outro vespeiro: o próprio surgimento de nossa espécie. Duas teorias são discutidas: a saída única da África e a multirregional. Segundo a primeira, que conta com uma apertada preferência dos pesquisadores, o Homo sapiens deixou seu continente de origem pronto, com o DNA de seus ancestrais africanos. A multirregional, por sua vez, acredita que houve trocas entre o sapiens e o Homo erectus, que já colonizava outras regiões há 1,5 milhão de anos, e por isso seríamos tão diferentes em cada parte do globo.

Fonte: O Globo