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terça-feira, 17 de março de 2015

Cães enxergam tudo em preto e branco?


Por muito tempo acreditou-se que os cachorros enxergavam o mundo em preto e branco, mas esse mito foi derrubado há alguns anos, após a realização de estudos científicos mais precisos. Os pesquisadores, hoje, sabem que cães captam menos cores --vermelho e verde estão fora da lista, por exemplo-- e não conseguem distinguir tantos detalhes quanto nós. Porém, como têm olfato, paladar e audição mais desenvolvidos, essas características não são necessárias para a sobrevivência canina.

"O conjunto dos sentidos dá conta do recado para eles", comenta a médica veterinária Angélica Safatle, do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (Universidade de São Paulo).

A especialista informa que, se o mundo, para esses bichos, é mais desfocado e menos colorido que o nosso, a escuridão, para eles, é menos ameaçadora. É que, comparada à nossa, a retina dos cachorros (parte do olho que percebe a luz) conta com mais células bastonetes, adaptadas para condições de pouca luminosidade, e menos células cones, envolvidas na percepção das cores e detalhes.

Como os daltônicos

Cada tipo de célula cone é sensível a um espectro e, enquanto seres humanos possuem três tipos de cones, os cães possuem apenas duas, assim como os daltônicos, que representam cerca de 4% da população masculina.

"De acordo com pesquisas, os cães têm a capacidade de distinguir tons básicos de cores: amarelo, azul e cinza. Todas as outras cores se atenuam aos olhos do cão e caem em um desses tons", explica Juliana Yuri, adestradora e consultora comportamental da equipe Cão Cidadão.

A consultora acrescenta que, por conta de outra estrutura ótica --o "tapetum lucidum"-- a luz que passa pela retina dos cães, assim como dos gatos, é "aumentada", o que dá a esses animais uma visão melhor para vagar por aí de madrugada. Essa membrana, por sinal, é responsável pelo aspecto de "farol refletor" que os olhos de muitos bichos apresentam na penumbra.

Movimento funciona

"Outro detalhe importante sobre a visão canina é que os animais não enxergam muitos detalhes a curta distância: se um objeto pequeno cair em frente a um cão, até uma distância de 40 centímetros, mais ou menos, há uma grande chance de ele não ser notado pelo animal. Porém, se você mover esse objeto na frente do cão, isso fará com que ele se torne instantaneamente mais interessante", complementa Yuri. Ou seja, os olhos do melhor amigo do homem são mais sensíveis aos movimentos.

Uma pesquisa realizada no ano passado pela Universidade da Cidade de Londres, no Reino Unido, ainda mostrou que cachorros e gatos, assim como vários outros animais, são capazes de enxergar a luz ultravioleta, o que é impossível para seus donos. Os cientistas ainda não sabem exatamente qual a vantagem disso --é algo que ainda precisa ser mais estudado.

E os gatos?

Outra pergunta frequente relacionada ao tema é: a visão dos gatos é melhor que a dos cães? Segundo a médica veterinária da USP, esse é outro mito infundado. Para dar uma noção das diferenças, ela usa um conceito comum entre os oftalmologistas: o 20/20.

Os médicos supõem que uma pessoa com visão normal enxerga perfeitamente o quadro de teste a 20 pés, ou seja, a seis metros de distância. Alguém com 20/40, portanto, consegue ver a seis metros o que uma pessoa com visão normal seria capaz de ver a 12 metros de distância. A partir de 20/200, o indivíduo é considerado cego para fins legais.

Safatle conta que a visão dos cães é 20/80 e a dos gatos, 20/100. E, novamente, a razão disso é simplesmente a falta de necessidade. Aves de rapina, por exemplo, dependem dos olhos para identificar a presa lá do alto, por isso enxergam bem melhor que os seres humanos. Segundo pesquisadores, falcões chegam a ter uma visão 20/2.

O risco de doenças é o mesmo

Apesar das diferenças de acuidade visual, seres humanos e cachorros compartilham o risco de desenvolver certas doenças capazes de levar à cegueira, como catarata, olho seco, glaucoma, miopia e úlceras de córnea.

A oftalmologia veterinária evoluiu bastante nos últimos anos e, hoje, os animais de estimação também contam com tratamentos de ponta para essas enfermidades, relacionadas à genética e à idade. "Muitos cachorros apresentam catarata precocemente, por volta dos quatro anos", relata.

Mas a veterinária da USP considera que, quando a cegueira é inevitável, os cães se saem melhor, justamente por terem outros sentidos mais aguçados, algo que os humanos com visão comprometida demoram algum tempo para desenvolver. 

Fonte: UOL
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