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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Animal e vegetal ao mesmo tempo? Lesma marinha faz fotossíntese após roubar genes de algas

A lesma marinha de tom verde brilhante conseguiu roubar genes de algas e agora se comporta como uma planta, fazendo fotossíntese!

Chamada de Elysia (nome científico Elysia chlorotica), a lesma ganhou notoriedade entre os cientistas por incorporar genes de algas em seus próprios cromossomos.
Este processo permite, essencialmente, que ela utilize energia solar para transformar dióxido de carbono e água em glicose, um nutriente essencial para a sobrevivência.

Os pesquisadores por trás da descoberta acreditam que pode ser possível usar esta forma de sequestro gênico entre as espécies para criar novos tipos de tratamentos para doenças genéticas em seres humanos.

O professor Sidney Pierce, biólogo da Universidade do Sul da Flórida e da Universidade de Maryland, disse: "Não há nenhuma maneira na Terra que faça os genes de uma alga funcionar dentro de uma célula animal, mas nesta lesma, isso é possível. Os genes permitem que o animal utilize luz solar para obter sua nutrição. Então, se ela não encontrar alimento disponível, não morrerá de fome e poderá ficar perfeitamente saudável até encontrar mais algas para comer”.


"Descobrir o mecanismo dessa transferência de genes que ocorre naturalmente entre estas espécies poderia ser extremamente instrutiva para futuras aplicações médicas”, salientou.
Elysia chlorotica é encontrada em locais rasos e pântanos de água salgada ao longo da costa leste dos Estados Unidos, particularmente em Massachusetts, Connecticut, New York, New Jersey, Maryland, Flórida e Texas.

Os espécimes jovens são geralmente de cor marrom-avermelhada. Elas são conhecidas desde 1970 por sua capacidade em incorporar cloroplastos em suas próprias células após comer as algas, o que lhe confere um tom verde brilhante.

Os cloroplastos são pequenas organelas verdes encontradas nas plantas, especialmente nas folhas, com poder em converter luz solar em glicose. A lesma consome algas conhecidas como Vaucheria e incorpora esse sistema quando estas organelas atingem o intestino. A partir daí, a lesma consegue usar os cloroplastos para produzir carboidratos e lipídios por até 9 meses.


No entanto, nunca se teve notícia que um cloroplasto pudesse sobreviver e funcionar fora do apoio de seu organismo de origem por tanto tempo.

Para entender o processo, o professor Pierce e seus colegas analisaram o DNA da lesma e descobriram que ela tinha conseguido incorporar um gene das algas em seus próprios cromossomos. Ela usa este gene para reparar danos nos cloroplastos e mantê-lo funcionando.

"O gene é incorporado no cromossomo da lesma e transmitido para a próxima geração de lesmas”, finalizou.


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