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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cientistas podem manipular suas memórias com luz

Ativando ou desestimulando a conexão entre as sinapses seria possível manipular memórias (Foto: flickr)
Ativando ou desestimulando a conexão entre as sinapses seria possível manipular memórias

Parece coisa de filme de ficção: uma memória é apagada. Você esquece completamente de ter feito uma prova, ou conhecido alguém importante, e fica, por um certo tempo, na ignorância. Depois, cientistas reativam a lembrança no seu cérebro. Tortura? Não. É o que pesquisadores estão fazendo com ratos, em busca da compreensão sobre o que é a memória.

De acordo com um estudo publicado na Nature, através de luz cientistas conseguem manipular o cérebro de animais geneticamente modificados para responder a esses estímulos (técnica chamada optogenética). Com isso, é possível alterar algumas funções neurológicas aumentando a transmissão elétrica entre algumas sinapses (mecanismo que foi inspirado por algas que alteram o seu comportamento de acordo com a luz solar).
Ao silenciar esses circuitos com luz, a memória se esvai. Ao ativá-lo novamente, a memória volta. Ou seja, a pesquisa sugere que as memórias são justamente o resultado da conexão entre neurônios, em forma de canais que se formam entre eles.

Mas como foi feito o estudo que baseou essa conclusão? Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego condicionaram ratos a terem medo de certos barulhos. Quando eles ouviam o barulho, levavam choques. Ou seja, depois de entenderem esse mecanismo, os ratos ficavam paralisados quando ouviam o barulho, esperando a dor. Então os pesquisadores estimulavam ou "desligavam" a conexão responsável por essa lembrança no cérebro dos roedores através de um laser. Quando desativavam a conexão, o rato não tinha mais medo. Assim que a conexão era estimulada, a lembrança voltava como se nunca tivesse ido embora.

Qual é a aplicação de uma pesquisa dessa? Pense no mal de Alzheimer, que causa o enfraquecimento de várias sinapses culminando na perda de memória. Se cientistas provarem que o princípio funciona em humanos, talvez o laser seja a chave para a recuperação da memória de pacientes. Por outro lado, seria possível desativar sinapses associadas à traumas violentos que podem ter contribuído para desenvolvimentos de distúrbios.

Fonte: Galileu
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