Últimas

Empresa dos EUA transforma plástico em petróleo

Em feira na França, companhia de Oregon apresentou tecnologia que consegue fazer com que 75% do peso original do plástico vire petróleo
Jon Angin, vice-presidente da Agilyx, durante o Salão do Meio Ambiente, em Lyon, em 27 de novembro
Jon Angin, vice-presidente da Agilyx, durante o Salão do Meio Ambiente, em Lyon, em 27 de novembro
Um tipo inédito de reciclagem que converte plástico velho em petróleo de boa qualidade foi apresentado por uma empresa americana presente no Salão Internacional dos Equipamentos, das Tecnologias e dos Serviços do Ambiente (Pollutec), que começou no dia 27 e e termina amanhã (30) em Lyon, na França.
A técnica da Agilyx, empresa criada no estado de Oregon há apenas seis anos, permite tratar qualquer plástico, inclusive o mais velho e o mais sujo, de acordo com Jon Angin, vice-presidente da empresa. "O que nos interessa não são os plásticos que são reciclados hoje em dia, mas os plásticos que ninguém quer e que costumam acabar no lixo", afirmou o executivo, que foi ao salão de Lyon.
Na primeira etapa do processo, o plástico é triturado. Depois, ele é colocado em um grande "cartucho", aquecido para se transformar em gás. Ele então volta a ser resfriado na água.
O petróleo resultante é separado ao emergir à superfície. Ao final do processo, mais de 75% do peso original é transformado em petróleo cru, pronto para ser refinado como qualquer outro tipo dessa substância. O resto da matéria fica dividido em gás e outros resíduos (menos de 10%).
A empresa consegue converter por dia até 10 toneladas de plástico – cuja produção mundial foi de 280 milhões de toneladas em 2011 –, que resultam em 50 barris de petróleo, já descontando cerca de 10 barris de energia utilizados no processo industrial.
A tecnologia parece ter convencido investidores no setor. A Agilyx atraiu para seu capital o líder americano dos resíduos Waste Management e o gigante petroleiro francês Total.
Viabilidade – Não é preciso que o barril de petróleo esteja acima do valor atual para que a tecnologia seja economicamente interessante. "Com a cotação atual do petróleo (em média a US$ 100 o barril), a Agilyx já é rentável", ressalta François Badoual, diretor da Total Energy Ventures, filial de investimentos do grupo francês que entrou no capital da firma americana no final de 2010. Angin prefere não falar do preço mínimo do barril necessário para que a empresa seja viável. "Estamos muito tranquilos, o preço do petróleo não vai cair abaixo do nível atual", assegura.
O petróleo originado do plástico não deve nada em termos de qualidade ao que é extraído por outros métodos no mundo – o plástico já é um produto do petróleo refinado e não tem muitas impurezas. "É um petróleo de boa qualidade que poderíamos classificar de leve, muitas vezes buscado pelas refinarias", afirma Badoual. Segundo a a Agilyx, trata-se de um petróleo que pode ser utilizado por produtores de gasolina, diesel e combustível de jato.
O vídeo abaixo (em português) explica como funciona o processo:



Fonte: Veja