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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Como ver um fantasma

A crença na paranormalidade é reforçada pelos mesmos mecanismos cerebrais que modelam a maior parte do pensamento e nos ajudam a tomar decisões no cotidiano

Posicione-se diante de um espelho grande, a cerca de meio metro dele. A seguir, coloque uma vela ou uma luz fraca bem atrás de você e apague a luz. Depois de olhar atentamente para seu reflexo por cerca de um minuto, você começará a experimentar uma ilusão estranha. Em um estudo conduzido pelo psicólogo italiano Giovanni B. Caputo, da Universidade de Urbino, 70% dos voluntários viam o próprio rosto tornar-se terrivelmente distorcido e muitos tinham a impressão de estar se transformando em outra pessoa. Embora os pesquisadores não estejam certos sobre o que produz esse efeito, as condições de iluminação parecem impedir o cérebro de “juntar” os diferentes aspectos da própria face em uma única imagem.
Talvez você nunca tenha visto o rosto de Jesus Cristo num pedaço de batata chips, mas provavelmente já viveu alguma situação, fenômeno ou revelação improvável em algum momento. Muitos afirmam, por exemplo, que fantasmas existem ou que os sonhos podem ser premonitórios; outros tantos acreditam ter visto o rosto da Virgem Maria numa torrada e o da Madre Teresa num biscoito de canela. E, embora a maioria dessas crenças não se sustente racionalmente, são surpreendentemente comuns. Uma pesquisa de opinião pública realizada em 2005 mostrou que três em cada quatro americanos acreditam na existência de fenômenos paranormais. Outro trabalho revelou que um em cada três adultos afirma ter vivenciado uma experiência sobrenatural. A frequência desses relatos levou alguns psicólogos a se perguntar se mecanismos psíquicos poderiam sustentar essas convicções tão disseminadas.
A lista de fenômenos “estranhos” nos quais as pessoas creem vai muito além dos limites da evidência científica – incluindo telepatia, clarividência, previsão do futuro, controle da matéria pela mente e capacidade de se comunicar com os mortos. Psicólogos estão procurando compreender por que tanta gente acredita em manifestações que escapam à explicação lógica. E já descobriram que esse tipo de crença não é privilégio de um grupo seleto: todos nós estamos preparados para o sobrenatural. E, enquanto a ciência não apresenta provas definitivas, muita gente continuará a ver fadas escondidas entre flores. E quem garante que elas realmente não estão lá?
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